Funil de marketing: o que é e por que ele não explica mais sozinho a jornada do consumidor

Beatriz Gonçalves
Funil de marketing: o que é e por que ele não explica mais sozinho a jornada do consumidor

O funil de marketing é uma das metodologias mais conhecidas para representar a jornada de compra dos consumidores. Durante anos, ele ajudou empresas a entender como atrair, engajar e converter clientes.

Mas, em um cenário marcado por múltiplos canais, excesso de informação e decisões de compra cada vez menos lineares, será que o funil ainda consegue explicar sozinho o comportamento do consumidor?

Pensando nisso, neste artigo você vai entender:

O que é funil de marketing?

O funil de marketing é uma metodologia utilizada para representar a jornada que um consumidor percorre desde o primeiro contato com uma marca até a realização de uma compra. Seu principal objetivo é ajudar empresas a entenderem em qual estágio da jornada seus potenciais clientes estão e quais estratégias podem ser utilizadas para conduzi-los à conversão.

A ideia por trás do modelo é que, ao longo desse processo, o número de pessoas interessadas tende a diminuir. Enquanto muitas pessoas entram em contato com uma marca no início da jornada, apenas uma parte delas avança até a decisão de compra. Por isso, a representação visual do modelo lembra um funil: largo no topo e estreito na base.

Na prática, o funil de marketing serve como um guia para planejar ações de atração, relacionamento e conversão. A partir dele, é possível criar conteúdos e campanhas mais adequados para cada etapa da jornada, aumentando as chances de transformar potenciais clientes em consumidores.

Tradicionalmente, o funil é dividido em três etapas principais: topo, meio e fundo. A seguir, vamos entender como cada uma delas funciona.

Como funciona o funil tradicional?

Como dito, o funil é dividido em três etapas principais. Cada uma delas representa um momento diferente do relacionamento entre a marca e o potencial cliente, exigindo estratégias específicas para atender às suas necessidades e expectativas.

Topo do funil

No topo do funil estão as pessoas que ainda estão descobrindo um tema, necessidade ou problema. Nesse estágio, elas geralmente não estão prontas para comprar, mas buscam informações para aprender mais sobre determinado assunto.

Por isso, nessa etapa, as ações de marketing costumam ter foco em atração e educação, por meio de conteúdos como artigos de blog, vídeos, redes sociais, pesquisas e materiais ricos.

Meio do funil

À medida que o consumidor avança na jornada, ele passa a compreender melhor sua necessidade e começa a considerar possíveis soluções. É nesse momento que ele busca mais informações, compara alternativas e avalia opções disponíveis no mercado.

Nessa etapa, o objetivo é aprofundar o relacionamento e demonstrar como a empresa pode ajudá-lo a resolver seu problema.

Fundo do funil

No fundo do funil estão os consumidores mais próximos da decisão de compra. Eles já conhecem suas necessidades, avaliaram alternativas e buscam os argumentos finais para escolher uma solução.

Aqui, as estratégias costumam focar em conversão, destacando diferenciais, benefícios, demonstrações, avaliações de clientes e outras informações que auxiliem na tomada de decisão.

Esse modelo ajudou empresas a estruturar suas estratégias de marketing durante décadas. No entanto, com as mudanças no comportamento dos consumidores e o surgimento de novos canais digitais, a jornada de compra se tornou muito mais dinâmica do que o percurso linear proposto pelo funil tradicional.

As limitações do funil de marketing na jornada atual

Apesar de ser uma metodologia amplamente utilizada, o funil de marketing apresenta limitações importantes quando analisado a partir do comportamento atual dos consumidores. O principal desafio do modelo está na sua premissa de linearidade: ele pressupõe que a jornada de compra segue um fluxo contínuo e previsível, do topo ao fundo do funil.

Na prática, isso nem sempre acontece. Hoje, os consumidores alternam entre diferentes etapas da jornada, retornam para fases anteriores, comparam marcas em múltiplos canais e são influenciados por uma variedade de fatores ao longo do caminho, como redes sociais, avaliações online, criadores de conteúdo e recomendações de outras pessoas.

Esse comportamento mais dinâmico torna a jornada de compra menos previsível e mais circular, o que dificulta a aplicação rígida do modelo tradicional do funil.

Como destaca Dani Schermann, CMO do Opinion Box: “O funil de marketing continua sendo uma ferramenta importante para organização estratégica, mas não dá conta, sozinho, da complexidade da jornada de consumo atual.” 

Essa mudança de cenário não invalida o uso do funil, mas reforça a necessidade de complementá-lo com outras abordagens que considerem a não linearidade da jornada e a influência contínua de diferentes pontos de contato.

O que as pesquisas revelam sobre a jornada de compra atual

Os dados de pesquisa mostram que a jornada de compra dos consumidores está cada vez menos linear e muito mais influenciada por múltiplos fatores, canais e momentos de decisão.

As redes sociais, por exemplo, já têm um papel direto na conversão: 69% dos consumidores afirmam já ter realizado compras a partir de recomendações vistas nessas plataformas, segundo a pesquisa Consumo e Influência Digital, realizada pela Opinion Box em parceria com a Influency.me.

Além disso, a busca por validação é um comportamento consolidado. De acordo com a pesquisa Consumo Digital no Brasil, da Opinion Box em parceria com a NP Digital, 86% dos consumidores digitais dizem checar avaliações antes de realizar uma compra, o que reforça a importância da opinião de outros usuários no processo de decisão.

Outro ponto relevante é o impacto da comunicação promocional nas redes sociais. Ainda segundo o mesmo estudo, 70% dos consumidores afirmam já ter comprado algo impulsivamente após ver uma promoção ou anúncio em plataformas digitais, evidenciando como estímulos rápidos podem influenciar decisões que, teoricamente, seriam mais racionais e planejadas.

O comportamento também mostra que a jornada não se limita ao ambiente digital. A Pesquisa Abandono de Carrinho do Opinion Box revela que 60% dos consumidores já abandonaram compras online para adquirir o mesmo produto presencialmente, indicando uma alternância constante entre canais. Ao mesmo tempo, 80% afirmam já ter concluído a compra de itens que haviam deixado anteriormente em um carrinho virtual, reforçando o caráter não linear e fragmentado da decisão de compra.

Em conjunto, esses dados ajudam a entender que o consumidor atual não segue um caminho fixo entre descoberta e conversão. Ele circula entre canais, valida informações, é impactado por estímulos diversos e pode retomar decisões em diferentes momentos da jornada.

Quais modelos complementam o funil de marketing

À medida que o comportamento do consumidor se torna mais dinâmico e não linear, surgem outros modelos que ajudam a complementar a visão tradicional do funil de marketing e a entender melhor a jornada de compra.

Um dos mais conhecidos é o Customer Journey (Jornada do Cliente), que amplia a análise para além das etapas de atração e conversão. Nesse modelo, o foco está em mapear todos os pontos de contato entre consumidor e marca, considerando desde o primeiro contato até o pós-compra, incluindo momentos de pesquisa, avaliação, compra e experiência de uso.

Outro modelo bastante utilizado é o Flywheel. Nele, o cliente deixa de ser o ponto final da jornada e passa a ser parte central do processo de crescimento do negócio. A lógica é que clientes satisfeitos geram recomendações, que atraem novos consumidores, criando um ciclo contínuo de crescimento impulsionado pela experiência.

Também ganha destaque o conceito de Customer Lifecycle (ciclo de vida do cliente), que organiza a relação entre marca e consumidor em fases mais contínuas, como aquisição, ativação, retenção, fidelização e recomendação. Diferente do funil tradicional, esse modelo não trata a jornada como algo que termina na compra, mas como um relacionamento contínuo.

Essas abordagens não substituem necessariamente o funil de marketing, mas ajudam a expandir sua visão. Em conjunto, elas permitem uma leitura mais completa da jornada do consumidor, considerando não apenas a conversão, mas também a experiência, a recorrência e o impacto que cada cliente pode gerar ao longo do tempo.

O funil de marketing ainda faz sentido?

O funil de marketing continua sendo uma das ferramentas mais importantes para organizar estratégias, estruturar ações e entender o processo de conversão. Ele ajuda a dar clareza sobre etapas da jornada e segue sendo amplamente utilizado no marketing e nas vendas.

No entanto, como mostram os dados e as mudanças no comportamento do consumidor, a jornada de compra já não segue um caminho linear e previsível. As pessoas alternam entre canais, buscam validação em diferentes fontes, são impactadas por conteúdos e podem retomar decisões em momentos distintos.

Por isso, o desafio atual é ir além do funil de marketing. Isso significa combiná-lo com outros modelos e, principalmente, com uma visão mais centrada no consumidor, que considere a experiência como um todo, antes, durante e depois da compra.

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